De Lunabel para o Mundo: A Consagração de Enzo “Plankton” Gabriel no VMB 11

O berimbau ecoou mais alto no coração do Brasil. No dia 9 de maio de 2026, a Arena Hall, em Brasília, foi palco de um encontro entre o futuro do esporte e a força da ancestralidade. Na categoria Juvenil A Masculino do Volta ao Mundo Bambas (VMB 11), o título encontrou seu dono: Enzo Gabriel, carinhosamente conhecido na roda como “Plankton“. Mais do que uma vitória individual, o troféu erguido naquela noite representou o triunfo de uma comunidade, de um projeto social e da essência mais pura da capoeira.

Quando as luzes da Arena Hall se acenderam para o card preliminar na categoria Juvenil, o público não estava prestes a ver apenas dois jovens atletas trocando golpes. No VMB, o maior palco da capoeira mundial, o que entra na arena é a história de vida de cada capoeirista. E a história de Enzo “Plankton” é daquelas que emocionam e inspiram, provando que a arte da capoeira é, acima de tudo, uma ferramenta de transformação social.

Nascido e forjado no bairro de Lunabel, no município de Novo Gama, Goiás, região do Entorno do Distrito Federal, Enzo carrega em sua ginga a resiliência de quem sabe que as vitórias na vida são conquistadas com suor, disciplina e muito axé. Ele é fruto do Projeto Camaleões, uma iniciativa vital que usa a capoeira para mudar realidades, e representa com orgulho o Grupo de Capoeira Ouro Negro.

Por trás de todo grande capoeirista, existe a figura de um grande mestre. Para Plankton, essa bússola atende pelo nome de Mestre Targino. Foi sob o olhar atento e os ensinamentos de Mestre Targino que o jovem Enzo aprendeu que a capoeira não se resume a saltos acrobáticos ou golpes de impacto. A capoeira é respeito, é fundamento, é saber a hora de avançar e a hora de recuar. A vitória no VMB 11 é, sem dúvida, a colheita de uma semente plantada com muito amor e dedicação pelo seu mestre no chão duro dos treinos em Novo Gama.

Para entender a magnitude da conquista de Enzo no VMB 11, é preciso voltar um pouco no tempo. A capoeira é uma arte dual: ela exige a fisicalidade de um guerreiro e a sensibilidade de um artista. E Plankton já havia provado que domina ambos os lados dessa moeda.

No ano anterior, em 2025, durante o VMB 9, Enzo já havia deixado sua marca ao vencer as seletivas musicais do evento. Naquela ocasião, ele mostrou ao mundo que sua voz e seu toque no berimbau carregam o lamento, a alegria e a poesia dos antigos capoeiras. Vencer na música foi a prova de que sua raiz é profunda.

Agora, em 2026, ao entrar no palco para competir na modalidade esportiva juvenil, ele completou o ciclo. Mostrou que o mesmo jovem que canta e encanta, também tem a malícia, a técnica e a bravura necessárias para ser um campeão na roda.

O dia 9 de maio ficará marcado na memória de todos os presentes na Arena Hall. O clima era de tensão e festa, uma mistura que só a capoeira consegue proporcionar. Quando o gunga chamou e o jogo começou, Enzo “Plankton” não se deixou intimidar pela grandiosidade do evento.

Com uma ginga solta, carregada da malandragem herdada de seu mestre, ele transformou o palco em seu quintal. Cada esquiva era um diálogo; cada meia-lua, uma poesia desenhada no ar. O combate final da categoria juvenil não foi apenas uma disputa por pontos, mas um espetáculo de mandinga. Enzo soube ler o jogo, respeitar o adversário e, no momento certo, impor o seu ritmo. Ele lutou com a alegria de um menino e a sabedoria de um veterano.

Quando o resultado foi anunciado e Enzo foi erguido pelo Mester Piter, a alegria foi inevitável. Naquele instante, não era apenas o jovem Plankton que estava no palco principal. Com ele, subiram todos os alunos do Projeto Camaleões. Subiu o Grupo Ouro Negro. Subiu Mestre Targino. Subiu a comunidade de Lunabel, que agora vê em um de seus filhos a prova viva de que os sonhos são possíveis, por mais difíceis que sejam as circunstâncias.

A vitória de Enzo “Plankton” Gabriel no VMB 11 transcende o esporte. Ela é um lembrete poderoso de que a capoeira salva, educa e eleva. O troféu juvenil agora repousa em Novo Gama, servindo de espelho para dezenas de outras crianças que treinam descalças, sonhando em um dia pisar nos grandes palcos do mundo.

Enzo provou que é um capoeirista completo: canta com a alma e joga com o coração. O VMB 11 consagrou o talento de um jovem, mas, acima de tudo, celebrou a cultura em sua forma mais bela. Que o berimbau continue ditando o ritmo da vida de Plankton, pois o mundo da capoeira já sabe: o camaleão de Lunabel mudou de cor, e agora, ele brilha em ouro.